Minha Experiência como FreeLancer (Por Filipe Wanderly)

Venho de uma família humilde, onde desde criança vejo meus pais trabalhando e valorizando o trabalho. Um menino de 4 anos que, quando chegava as compras de casa, ia sem medo em direção ao saco de arroz de 5 quilos. “Parece o pai segurando um saco de cimento”, diziam. E para mim, isto sempre foi associado ao orgulho de meus pais.
O meu pai é um senhor pedreiro que por conta de sua profissão, se aposentou por invalidez. Porém mesmo hoje, não há mármore que vemos em que ele não me fala da bela pia que a peça faria. Minha mãe trabalha em 2 empregos desde que tenho consciência e provavelmente trabalhava muita antes da minha concepção. Sabe aquela famosa história: “Na minha época […]”? Pois então, estas já ouvi em demasia. Antes de morar sozinho, ajudava meu pai com suas obras, na medida do possível, sempre priorizando meus estudos.

Ao ingressar na universidade pública, me deparo com um problema de certa forma, comum: a inflexibilidade nos horários das aulas. Precisava então, encontrar um emprego com característica contrária. Acatei uma solução que muitos na minha situação eram direcionados. Decidi me tornar um freelance, ou o chamado extra, neste caso. Uma churrascaria/bar de rock, bem famosa na cidade, localizada próxima a universidade, procurava pessoas que pudessem trabalhar aos fins de semana. Por indicação de uma amiga, comecei ali minha prestação de serviços. A rotatividade de empregados era muito alta pois muitos não aguentavam a dificuldade do trabalho.  Eu exercia o cargo de cumim, que nada mais é, um auxiliar para o garçom. Apesar de ser uma atividade extenuante e do horário de trabalho das 19:00 às 3:30 todas as sextas e sábados, eu gostava bastante daquele lugar. Talvez pelas músicas que me contagiavam, ou quem sabe pelas pessoas que por ali passaram, algo me prendia. Muitas foram as vezes que não conseguia jantar, e vou te falar, ter fome e trabalhar em um restaurante não é uma combinação muito boa.

Durante 20 meses, permaneci trabalhando naquele estabelecimento. Foram incontáveis as festas e outros eventos sociais que tive que declinar neste período. Algum tempo depois de começar, me tornaria garçom, porém não levo jeito nenhum para o cargo. O setor onde mais me identifiquei foi dentro do bar, onde trabalhei como barman. Cheguei a firmar contratos verbais em que passaria a receber mensalmente ao invés de diariamente, como é de costume. Como tinha bastante tempo de casa e por conhecer bastante universitários, conseguia trabalho para outros colegas também.

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Algumas poucas vezes, por necessidade, trabalhei como cortador de frutas e ajudante geral para uma sorveteria nas tardes de sábados e domingos. Acredito que este tenha sido o pico do meu cansaço físico. A habilidade adquirida no bar também me concedeu outros trocados. Fui contratado como barman para uma festa de aniversário por conta da visibilidade que meu trabalho tinha naquele bar, e no mesmo dia pela noite, voltaria a trabalhar lá. Trabalhei também no evento Food Truck da minha cidade. Mesmo não suportando peixe e afins, gostei muito de ter trabalhado em um caminhão de sushi e temaki.

Porém, em toda a minha vida, o melhor emprego que tive não me gerava dinheiro. Estou falando da AIESEC, uma organização voltada para desenvolvimento pessoal e profissional de estudantes através de intercâmbios. Fui Project Manager (gestor de projetos), onde promovia um projeto em que os intercambistas lecionavam uma língua para a comunidade. Isso de certo sanava a minha paixão por culturas internacionais. E foi lá também que consegui amigos para a vida, até mesmo de outros países. Sou muito grato e devo muito àquela organização.

Ao chegar na segunda metade do meu curso, não tive outra escolha a não ser parar de trabalhar. Desde maio deste ano, sou bolsista da minha universidade como monitor de probabilidade e até agora estou gostando muito. Tenho certeza que todos esses lugares que trabalhei tiveram grande influência em quem sou hoje, moldaram minha personalidade e me ensinaram coisas inestimáveis. Só tenho a agradecer.

Autor: Filipe Wanderly.

Editado por: Leonardo Theodoro Junior.

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