Uma Paixão chamada Fisioterapia (Por Daiane Portella)

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana” (Carl Jung). Esta é a frase que escolhi para começar à descrever esse texto, pois, sobre meu conceito, é a que melhor representa a escolha do meu curso.

Primeiro irei me apresentar, por escolha de meus pais, meu nome é Daiane e carinhosamente meus amigos me chamam de Dai, com 24 primaveras completadas, venho diretamente da cidade de Votuporanga – SP (terra do bloco OBA para os adoradores de carnaval) que tem seu charme especial, para cursar Fisioterapia, com muito orgulho, na FCT – Unesp de Presidente Prudente – SP, onde moro atualmente desde 2014.

Quando chegamos em uma universidade, grande, de referência, com universo inspirador para o conhecimento, nos deparamos com uma sala lotada de pessoas estranhas, das quais nunca viu nem ouviu falar, vindas de lugares diversos, eis que surge um indivíduo, as vezes carismáticos ou não, que será seu professor exatamente naquele horário e a primeira pergunta que ele faz: “Por que escolheu fisioterapia?” Bom, não foi difícil de responder à essa pergunta, pois era a profissão que já havia escolhido alguns anos atrás, escolhi Fisio pelo fato que sempre procurei ajudar as pessoas de alguma forma, mas especificamente de cuidar, tinha uma preferência por matérias de ciência na escola e adorava entender como funcionava o corpo humano, mas não queria medicina, apesar de ser o sonho de muitos, gostava da ideia de terapia pelo movimento e técnicas manuais, me encantei mais ainda pela área quando descobri a atuação do Fisioterapeuta com crianças que apresentam diferenças físicas e intelectuais que interferem em seu desenvolvimento. Não havia pensado exatamente uma segunda opção de faculdade, mas talvez faria Educação Física, pelo fato de gostar e sempre praticar uma atividade física, além de incentivar a sua prática. Em minha cidade de origem cursei Estética, me formei e trabalhei na área por um tempo, apesar de ser uma boa fonte de renda, não era a profissão que queria seguir definitivamente, por isso a busca e a decisão pela Fisioterapia me motivaram a continuar os estudos, mas longe da família e amigos de infância.

O primeiro ano de faculdade é como se fosse uma prova de resistência física, mental e emocional: horas de sono perdidas, matérias acumuladas, provas e trabalhos que parecem não ter fim, crises de existência, mas em meio à tanta bagunça, você se depara com algo que te faz acreditar ainda mais na certeza da sua escolha, no meu caso, foi o projeto de Paralisia Facial Periférica, orientado pela Profª. Drª. Lúcia Martins Barbatto, que me acolheu e confia em meu trabalho. Os Projetos, principalmente de pesquisa, são requisitos obrigatórios pela faculdade, principalmente que é por meio deles que se deve escolher o tema para o Trabalho de Graduação, apresentado no final do curso, o difícil é encontrar um projeto no qual se identifique e goste, no meu caso acredito que foi muito mais que sorte.

daiane-entrevista

Daiane Portella, 24 anos, Estudante de Fisioterapia da FCT Unesp de Presidente Prudente.

A paralisia facial periférica é uma patologia mais comum do que se observa, acontece uma lesão no nervo que inerva a musculatura da face (nervo facial), causando a paralisia de uma metade do rosto, os pacientes com essa paralisia ficam com o lado afetado sem se movimentar, além de ocorrer um desvio para o lado oposto, o que gera um grande desconforto estético para o indivíduo. Neste Projeto o tratamento é elaborado e aplicado diretamente para exercitar os músculos da face, o que chamamos tecnicamente de Cinesioterapia, basicamente caretas. O número de pessoas que procuram pelo atendimento é alto em relação ao total de pessoas que o projeto é capaz de atender, o esforço para vê-los evoluir na terapia é conjunto entre a força de vontade do paciente junto com as técnicas e habilidades do terapeuta. A primeira paciente que atendi já estava no projeto há algum tempo, confesso que fiquei ansiosa, pois minha proposta oferece algumas abordagens diferentes dos tratamentos anteriores, mas a reciprocidade e confiança dessa paciente foi fundamental para progredir com minha técnica. Já são quase dois anos com o Projeto de Paralisia Facial Periférica, que será a base para o meu trabalho de Graduação, foram em média 20 pacientes atendidos nesse período, cada um com um tipo de lesão e grau diferente de paralisia, mas todos com uma ótima evolução. Anteriormente eu recebia uma bolsa para realizar este projeto, o que é comum em projetos da universidade pública, não foi algo difícil de se conseguir, uma vez que é aprovado para recebe-la, mas o aluno também irá precisar ter um bom caminhar e desempenho na faculdade junto com as demais matérias do currículo do curso. Este ano, devido ao corte de gastos, minha bolsa juntamente com as de outros projetos foi suspensa, é o lado ruim de uma faculdade publica, essa intercorrência não me fez desistir do projeto, muito menos abandonar meus pacientes, mas precisava de uma bolsa para ajudar a me manter na faculdade. Neste momento minha escolha foi continuar com o de Paralisia e procurar outro que me fornecesse uma bolsa, procurei e encontrei, um Projeto em um ambiente muito renovador e especial a APAE de Presidente Prudente.

Apesar do que algumas pessoas possam esperar, a APAE é um lugar inspirador e que apresenta um clima muito agradável para se trabalhar, onde os alunos e funcionários te recebem com muito carinho e te proporcionam experiências para progredir. Neste projeto meu trabalho é avaliar os alunos em relação à idade, peso, altura, pressão arterial, frequência cardíaca e identificar aqueles que apresentam fatores de risco para doenças como Diabetes, hipertensão e sobrepeso (doenças metabólicas). Os alunos apresentam faixas etárias diversas, desde crianças pequenas até adultos de idades um pouco mais avançadas e não se encontra apenas a Síndrome de Down, mas outros tipos de atraso motor (físico), intelectual e emocional. Avalio cada um dos requisitos citados nos alunos, para posteriormente trabalhar com uma forma de intervenção adequada para eles. Quando cheguei na APAE, a primeira semana foi de uma vivência acompanhando-os na sala de aula, para iniciar, meu primeiro contato foi com uma turma que estava tendo aula de música e fiquei muito surpresa ao saber que formaram uma banda, em que os próprios alunos tocam os instrumentos e cantam, se apresentando em festas e eventos que o lugar promove.

Cada pessoa que avalio, desde crianças, jovens e adultos, tem sua particularidade e personalidade, alguns são mais falantes, já outros mais tímidos, há os que transbordam carinho e aqueles mais fechados, mas é gratificante quando eles perguntam se irei voltar no outro dia para vê-los, é bom sentir que eles gostam da sua presença junto com eles. A partir desse momento, começo a elaborar atividades que eles possam realizar em conjunto e que os estimulem a continuar com o exercício, um exercício proposto foi a dança, uma vez que eles gostam muito de música e brincadeiras de imitação. As intervenções vão além dos alunos, usa-se de palestras para pais, cuidadores e próprios funcionários da APAE sobre os fatores de riscos para as Doenças Metabólicas e a importância de preveni-las e seus possíveis tratamentos. Esse é um trabalho de uma equipe multiprofissional, que requer uma atuação em conjunto de fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, médicos, dentre outros. Todo aluno que apresenta uma alteração de valores considerados normais na avaliação, são encaminhados para especialistas e os pais.

Os dois Projetos apresentam abordagens diferentes da fisioterapia, um trabalha individualmente e diretamente com uma patologia, já o outro como uma forma de intervenção em grupo para um conjunto de distúrbios metabólicos que qualquer indivíduo possa apresentar. Os dois fazem minha paixão pela fisioterapia aumentar, a evolução de um paciente em uma terapia e reconhecimento dele pela sua terapia são os maiores motivos que me fazem continuar nesse curso, no decorrer do caminho da graduação sempre vão haver momentos que se pensa em desistir, pelo fato de estar cansado da sobrecarga, mas quando o que se faz é verdadeiro a força para continuar vai ser renovada e não se preocupe, apareceram pessoas nesse caminho que tornaram tudo mais leve.

Trabalhar com pessoas, principalmente as que apresentam alguma doença ou limitação, requer muito mais que só conhecimento de técnicas e teorias, precisa-se da leveza em reconhecer que o paciente que está na sua frente é ser um humano com sua própria história de vida e problemas, que tem dias bons e ruins e sua terapia precisa atingir paciente como um todo, e não como um bloco ou segmentos separados. A Fisioterapia se enfoca em devolver a função, assim como no Projeto de Paralisia Facial Periférica o objetivo é devolver a função que motiva à todos que recebem, o Sorrir.

Autora : Daiane Portella.

Editado por : Annanda Ellen Gomes da Costa e Leonardo Theodoro Junior.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s